Descoberto petróleo no espaço!

Segundo a teoria convencional, o petróleo é um combustível fóssil, originado provavelmente de resíduos de vida aquática animal acumulados no fundo de oceanos primitivos e cobertos por sedimentos. O tempo e a pressão do sedimento sobre o material depositado no fundo do mar transformaram-no em massas homogêneas viscosas de coloração negra, denominadas jazidas de petróleo.

Inclusive, os antigos egípcios utilizavam o petróleo como um dos elementos para o embalsamamento de seus mortos, além de empregarem o betume na união dos gigantescos blocos de rochas das pirâmides.

Aliás, sou professor (entre outras) de disciplinas ligadas à Geologia e formação do petróleo e do gás natural e em minhas aulas, abordo constantemente essa teoria, que na verdade pressupõe a origem orgânica do chamado ",ouro negro",. Entretanto, faço algumas alusões sobre a outra teoria, que é a da origem inorgânica, isto é, o petróleo seria oriundo de fontes minerais e não-animais...

E... de repente, esta teoria nada ortodoxa, pode ter mesmo algum fundamento, pois um grupo de pesquisadores alemães do Instituto Max Planck, descobriu um dos constituintes do petróleo, no espaço, A descoberta foi publicada na renomada revista acadêmica Astronomy & Astrophysics. Eles identificaram moléculas interestelares de C3H+ no centro da nebulosa Cabeça de Cavalo, situada na Constelação de Órion, próxima as famosas “Três Marias” (ver meu reporte sobre Órion em http://www.apolo11.com/minhanoticia.php?noticia=Orion_uma_bela_e_popular_constelacao_de_verao&posic=dat_20121211-035418.inc) e está a 1400 anos-luz de distância. O C3H+ integra a família dos hidrocarbonetos, partículas fundamentais na composição do petróleo e do gás natural.

A nebulosa contém 200 vezes mais hidrocarbonetos do que a quantidade total de água na Terra e uma das explicações para os níveis inesperada e extremamente altos de hidrocarbonetos na nebulosa é a proximidade de uma estrela massiva, que brilha intensamente na região.

O “petróleo espacial” surge da fragmentação de moléculas gigantes, os chamados PAHs (hidrocarbonos policíclicos aromáticos). Essas grandes partículas sofrem bombardeio intenso da radiação ultravioleta e se desintegram, criando uma grande quantidade de pequenos hidrocarbonetos.

O descobrimento do ",petróleo espacial",, segundo os pesquisadores, confirma que esta região é uma ativa refinaria cósmica....

Tal mecanismo de criação do petróleo espacial pode ser particularmente eficiente em regiões como a Nebulosa Cabeça de Cavalo, onde o gás interestelar está diretamente exposto à luz de uma estrela gigante situada nas proximidades.

A Nebulosa Cabeça de Cavalo é classificada como nebulosa escura. Antigamente, os astrônomos pensavam que estas áreas escuras do céu não continham estrelas. Povos da Antiguidade, achavam se tratar de portais para outra dimensão... Mais tarde, revelou-se que as nebulosas escuras são na verdade constituídas por nuvens de poeira interestelar, tão espessas que bloqueiam a radiação que vem das estrelas que se encontram por detrás destas nuvens....

Estas nebulosas apesar de escuras, são visíveis quando obscurecem parte de uma nebulosa brilhante (de emissão, como a M42 também na Constelação de Órion), caso da Nebulosa Cabeça de Cavalo ou bloqueiam as estrelas de fundo (caso da famosa Nebulosa Saco de Carvão na Constelação do Cruzeiro do Sul e da Nebulosa Pipe na Constelação de Ophiucus ou do Serpentário).

Extrapolando um pouco, imaginemos quantas mais nebulosas poderiam estar criando moléculas de petróleo similares a estas recém-descobertas...

Embora, diga-se de passagem, o petróleo é um combustível altamente agressivo ao meio ambiente e é finito. Novas fontes mais “limpas” deverão ingressar no cotidiano das pessoas, substituindo o ",ouro negro", já em fase de decadência!

A imagem anexa, mostra um mapinha de nebulosas escuras.

Fonte: Hilton J., Lahulla J.F. Distance measurements of Lynds galactic dark nebulae, Astron. Astrophys. Supp. 113, 325 (1995).
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