Nebulosas


O que existe entre as estrelas, ou entre um aglomerado e outro? Esta porção do espaço é conhecida como meio interestelar, o qual é constituído de regiões de vazio (ou quase) e por regiões mais densas, formadas por gases, chamadas nebulosas. Existem vários tipos de nebulosas, classificadas através da luz por elas emitida, que é decomposta num espectro, parecido com um arco íris, e analisada. Deste modo, de acordo com os resultados, são chamadas de nebulosas: de emissão ou difusas, de reflexão, de absorção ou escuras e planetárias, havendo ainda, os chamados restos de supernovas.

Nebulosas de emissão ou difusas: este tipo de nuvem é constituído de gás, o qual emite luz devido à energia fornecida por um corpo celeste próximo, tal como uma estrela. O qual pode aquecê-lo a cerca de 10000 ° C. São geralmente muito extensas e delas as estrelas "nascem", ou seja, se formam geralmente em grupos (aglomerados abertos). O gás predominante é o hidrogênio, mas existem átomos de hélio, oxigênio, nitrogênio e neônio. Como exemplos citamos a Grande Nebulosa de Órion, as nebulosa da Lagoa e a de Trífida, em Sagitário.


Nebulosa da Lagoa
@Steve Mazlin, Jack Harvey, Rick Gilbert, and Daniel Verschatse


Nebulosa de Órion.
@Jesús Vargas (Astrogades) & Maritxu Poyal (Maritxu)

Nebulosa de reflexão: um exemplo deste tipo é a nebulosidade que envolve as estrelas jovens do aglomerado aberto das Plêiades em Touro, cujas estrelas iluminam o gás que simplesmente reflete a luz. Devido a essa reflexão é que enxergamos a nebulosa. A parte azul da nebulosa de Trífida é uma nebulosa de reflexão.
Plêiades
@Robert Gendler

Nebulosas de absorção ou escuras: este tipo de nebulosa é caracterizada por absorver a luz de estrelas que se localizam atrás delas, em relação ao observador na Terra, o qual vê uma "mancha" negra no local, ou um vazio em determinada área do céu. Exemplos: a nebulosa da "Cabeça de Cavalo", em Órion e a região chamada nebulosa do "Saco de Carvão", no Cruzeiro do Sul.

Nebulosa Cabeça de Cavalo
@Canada-France-Hawaii Telescope, J.-C. Cuillandre

Nebulosa Saco de Carvão
@Yuri Beletsky

Nebulosas planetárias: quando uma estrela do tamanho do nosso Sol "morre", ela produz uma formação gasosa, que recebe o nome de nebulosa planetária, denominação essa usada pelo famoso astrônomo alemão William Herschel, pela razão de a nebulosa se parecer com um planeta distante, quando observada no telescópio. Quando a estrela morre, ela ejeta parte de sua massa gasosa que se amolda à forma esférica da estrela que a produziu. Alguns exemplos são a nebulosa do Anel, em Lira; a nebulosa de Áquila; a de Hélix, em Aquário; a do Olho de Gato, em Dragão e a nebulosa da Bolha de Sabão, em Vulpécula.

Nebulosa do Anel
@H. Bond et al., Hubble Heritage Team (STScI/AURA), NASA

Nebulosa Olho de Gato
@NASA, ESA, HEIC, and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA)

Nebulosa Bolha de Sabão
@Bill Snyder (Bill Snyder Photography)

Restos de supernovas: como o próprio nome sugere, este tipo de nuvem é gerado pela explosão de uma estrela, fenômeno esse chamado de supernova. Quando isso ocorre, os gases existentes na estrela são expulsos violentamente, para todas as direções, de forma irregular, tal como uma bomba aqui na Terra. O resultado é uma nuvem esparsa, amorfa e brilhante, devido à alta energia expelida na explosão. Três exemplos ilustram o modelo: a nebulosa do Caranguejo, em Touro, cuja explosão foi avistada pelos chineses em 1054, durante o dia; a nebulosa do "Véu de Noiva" em Cisne; e a nebulosa da Vela.

Nebulosa do Caranguejo
@NASA, ESA, J. Hester, A. Loll (ASU); Acknowledgement: Davide De Martin (Skyfactory)

Nebulosa do Esquimó
@NASA, ESA, Andrew Fruchter (STScI), and the ERO team (STScI + ST-ECF)







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Revelada a maior galáxia espiral


A espetacular galáxia espiral barrada NGC 6872 tem sido classificada entre os maiores sistemas estelares já conhecidos durante décadas.
Agora, uma equipe de astrônomos do Estados Unidos, do Chile e do Brasil premiaram essa galáxia como sendo a maior galáxia espiral já conhecida, com base em análise de dados de arquivos da missão GALEX (Galaxy Evolution Explorer) da NASA.

Medidas de ponta a ponta feitas pelos seus dois braços espirais gigantescos deram à NGC 6872 o exuberante tamanho de 522.000 anos-luz, fazendo dela uma galáxia cinco vezes maior que a nossa Via Láctea.

“Sem a habilidade do GALEX de detectar a luz ultravioleta das estrelas mais jovens e mais quentes, nós nunca teríamos reconhecido a extensão completa desse intrigante sistema”, disse o brasileiro Rafael Eufrasio, um assistente da pesquisa, no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Md., que é aluno de doutorado na Catholic University of America em Washington, e apresentou suas descobertas esta semana no encontro da American Astronomical Society em Long Beach na Califórnia.

O tamanho incomum da galáxia e a sua aparência decorrem de sua interação com uma galáxia muito menor, chamada IC 4970 que tem somente um quinto da massa da NGC 6872. A estranha dupla está localizada a 212 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação Pavo (Pavão), uma constelação do hemisfério celestial sul.

Os astrônomos pensam que grandes galáxias, incluindo a nossa própria, cresceram através das fusões e das aquisições, ocorridas em bilhões de anos, onde elas absorveram numerosos sistemas menores. Curiosamente, a interação gravitacional da NGC 6872 com a IC 4970 pode ter feito o oposto, desovando o que poderia se desenvolver em uma nova galáxia menor.

“O braço nordeste da NGC 6872 é o mais perturbado e é ondulado com formação de estrelas, mas na sua parte terminal, visível somente na luz ultravioleta, existe um objeto que parece ser uma galáxia anã de interação semelhante àquelas vistas em outros sistemas de interação”, disse Duilia de Mello, professora de astronomia na Catholic University.

A candidata a galáxia anã é mais brilhante na luz ultravioleta do que em outras regiões da galáxia, um sinal de que existe um rico suprimento de estrelas jovens e quentes com menos de 200 milhões de anos.

Os pesquisadores estudaram a galáxia através do seu espectro usando dados de arquivos do VLT (Very Large Telescope) do ESO, do 2MASS (Two Micron All Sky Survey), do telescópio espacial Spitzer da NASA, bem como do GALEX.
Através da análise da distribuição da energia pelo comprimento de onda, a equipe descobriu um padrão distinto de idade estelar ao longo dos dois braços proeminentes da galáxia. As estrelas mais jovens aparecem na parte terminal do braço noroeste, dentro da candidata a galáxia anã de interação, e as idades estelares se tornam progressivamente maiores em direção ao centro da galáxia.

O braço sudoeste mostra o mesmo padrão, o que está provavelmente conectado com as ondas de formação estelar disparadas pelo encontro galáctico.

Um estudo de 2007 feito por Cathy Horellou do Onsala Space Observatory na Suécia e Baerbel Koribalski do Australia National Telescope Facility desenvolveu simulações computacionais da colisão que reproduziram a aparência geral do sistema como nós vemos hoje. De acordo com o ajuste mais próximo, a IC 4970 fez sua aproximação a 130 milhões de anos atrás e seguiu um caminho que a levou aproximadamente ao longo do plano do disco espiral na mesma direção da sua rotação. O estudo atual é consistente com essa imagem.

Como em todas as galáxias espirais barradas, a NGC 6872 contém uma componente de uma barra estelar que faz a transição entre os braços espirais e as regiões centrais da galáxia. Medindo aproximadamente 26.000 anos-luz em raio, ou algo em torno de duas vezes o comprimento médio encontrado em espirais barradas próximas, essa é uma barra que convém a uma galáxia gigante.

A equipe não descobriu nenhum sinal de recente formação estelar ao longo da barra, o que indica que ela se formou a no mínimo alguns bilhões de anos atrás. A idade de suas estrelas fornecem um registro fóssil da população estelar da galáxia antes de seu encontro com a IC 4970.

“Entender a estrutura e a dinâmica de sistemas de interação próximos, como esse nos leva a nos aproximarmos de colocarmos esses eventos no seu contexto cosmológico apropriado, pavimentando o caminho para decodificarmos o que nós encontramos em sistemas distantes mais novos”, disse Eli Dwek, um membro da equipe e astrofísico do Goddard Space Flight Center.

O estudo também incluiu Fernanda Urrutia-Viscarra e Claudia Mendes de Oliveira da Universidade de São Paulo no Brasil, e Dimitri Gadotti do ESO em Santiago do Chile.

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O maior aglomerado de galáxias do Universo

Astrônomos anunciaram ter observado a maior estrutura já vista no cosmos, um aglomerado de galáxias do Universo remoto que se estende por impressionantes quatro bilhões de anos-luz.


A vasta estrutura é conhecida como um grande grupo de quasares (Large Quasar Group - LQG, na sigla em inglês), em que os quasares, núcleos de galáxias antigas, alimentados por buracos negros supermaciços, se agrupam.

A descoberta no espaço profundo foi realizada por uma equipe chefiada por Roger Clowes, do Instituto Jeremiah Horrocks, da Universidade de Central Lancashire (UCLan), na Grã-Bretanha.

Percorrer o aglomerado de um lado a outro demandaria uma viagem espacial na velocidade da luz por quatro bilhões de anos.

Para se ter uma ideia de escala, a Via Láctea, nossa galáxia, é separada de sua vizinha mais próxima, a galáxia de Andrômeda, por dois milhões e meio de anos-luz.

"Embora seja difícil conceber a escala deste LQG, podemos dizer de forma quase definitiva que é a maior estrutura já vista em todo o Universo", afirmou Clowes em um comunicado de imprensa divulgado pela Real Sociedade Astronômica.

"É imensamente emocionante, ainda porque vai contra a nossa compreensão atual sobre a escala do Universo", destacou.

O diagrama a seguir mostra a corrente de círculos negros representando um grande grupo de quasares, como sendo a maior estrutura já observada.

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O que é um Planetário?

Ficheiro:Planetário Rubens de Azevedo.jpgMuita gente pensa que um Planetário é um lugar, mas na verdade “Planetário” é uma “máquina” (ou programa) que projeta um céu em uma cúpula (ou mesmo no seu computador), no entanto se dá o nome da máquina ao lugar, vamos entender essa diferença.
  
   A antiga cosmologia grega inspirou a Eratóstenes e seus discípulos a construção de uma esfera oca, em cujo interior eram representados os planetas, como se a Terra fosse o centro. Daí derivam os planetários.

   Planetário é um instrumento óptico-elétrico-mecânico que reproduz o movimento dos corpos celestes. Consta de um conjunto de projetores especiais que lançam a imagem do céu no interior de uma cúpula hemisférica. O projetor principal, em forma de haltere, tem nas extremidades duas esferas, que reproduzem na cúpula as estrelas até a quinta magnitude. No corpo do instrumento há uma série de projetores móveis individuais para o Sol, a Lua e os planetas: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, que se podem ver a olho nu.
 Pequenos projetores esféricos, adaptados ao instrumento principal, mostram as coordenadas celestes, círculos, horários etc., a fim de facilitar o estudo da navegação celeste. Todo o conjunto se movimenta em torno de três eixos e permite exibir o céu visto a qualquer hora, de qualquer latitude da Terra e em qualquer época, mesmo no futuro ou no passado. Nos modernos planetários, a presença de um quarto eixo de rotação permite contemplar o céu visto de fora da Terra, de qualquer ponto do espaço como se estivéssemos em uma nave espacial.
Pequeno Histórico
   A esfera armilar de Eratóstenes (250 a.C.) e os globos celestes de Anaximandro (6 a.C.) foram melhorados por Tycho Brahe em 1580. Em 1664 Andreas Busch construiu o “globo de Gottorp”, de quase quatro metros de diâmetro, longínquo precursor dos planetários. O globo de Roger Long, construído em 1758, acomodava trinta pessoas em seu interior. O de Wallace Walter Atwood, de 1912, continha 700 orifícios, correspondentes às estrelas até a quarta magnitude. O primeiro dispositivo heliocêntrico, ou seja, com o Sol no centro do sistema, foi construído em 1682 por Johanes Cuelen de la Haye.
   Nos modelos mecânicos, era impossível reproduzir em escala as dimensões do sistema solar. Ao contrário do que se fizera até então, Walter Bauersfeld, da firma Carl Zeiss, imaginou uma representação celeste que permitisse a observação tal como é feita na natureza, ou seja, do interior da própria esfera celeste. Assim, construiu em 1919 o primeiro planetário Zeiss, dispositivo óptico com pequenas fontes de luz, convenientemente dispostas, e capaz de projetar, sobre a superfície interna de uma esfera oca, imagens que reproduziam, por sua posição relativa e brilho, o aspecto do céu noturno num dado local e num dado instante.
   Os planetários se disseminaram a partir de então por todo o mundo. Os mais famosos são os de Paris, Chicago, Nova York, Los Angeles, Londres, Berlim, Buenos Aires e Tóquio.
   O primeiro planetário do Brasil foi instalado em São Paulo em 1954 pela firma Carl Zeiss, que instalaria outros quatro no país: no Rio de Janeiro RJ e em Goiânia GO, em 1970, em Santa Maria RS, em 1971, e em Porto Alegre RS, em 1976.

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Um amontoado de estrelas exóticas

Nova fotografia VISTA do aglomerado estelar 47 Tucanae


Esta nova imagem infravermelha obtida pelo telescópio VISTA do ESO mostra o aglomerado globular 47 Tucanae com um detalhe espectacular. Este aglomerado contém milhões de estrelas, sendo que muitas das estrelas situadas no seu centro são exóticas, possuindo propriedades incomuns. Estudar objetos situados no interior de aglomerados como o 47 Tucanae pode ajudar-nos a compreender como é que estas estranhas “bolas” de estrelas se formam e interagem. Esta imagem é muito nítida e profunda devido ao tamanho, sensibilidade e localização do VISTA, o qual se encontra instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile.
        Os aglomerados globulares são nuvens esféricas e imensas de estrelas velhas ligadas entre si pela gravidade. Encontram-se a orbitar os núcleos das galáxias, tal como os satélites orbitam a Terra. Estes amontoados de estrelas contêm muito pouco gás e poeira - pensa-se que a maior parte deste material ou é lançado para fora do aglomerado através de ventos e explosões das estrelas, ou é arrancado pelo gás interestelar que interage com o aglomerado. O material restante coalesceu há bilhões de anos atrás, formando estrelas.
          Estes aglomerados globulares são objetos que despertam o interesse dos astrônomos - 47 Tucanae, também conhecido por NGC 104, é um aglomerado globular enorme e muito antigo, a cerca de 15 mil anos-luz de distância da Terra e que é conhecido por possuir muitas estrelas e sistemas estranhos e interessantes.
          Situado na constelação austral do Tucano, o aglomerado 47 Tucanae orbita a nossa Via Láctea. Com cerca de 120 anos-luz de dimensão, é tão grande que, apesar da distância, nos aparece no céu tão grande como a Lua Cheia. Com um conteúdo de milhões de estrelas, é um dos aglomerados globulares mais brilhantes e de maior massa que se conhecem, podendo ser observado a olho nu [1]. No meio da enorme massa de estrelas situada no seu centro, encontramos sistemas intrigantes tais como fontes de raios X, estrelas variáveis, estrelas vampiras, estrelas aparentemente "normais" mas inesperadamente brilhantes conhecidas como retardatárias azuis, e pequeníssimos objetos chamadas pulsares de milissegundo, que são pequenas estrelas mortas que giram surpreendentemente depressa [2].
        Gigantes vermelhas, estrelas que já gastaram o combustível no seu centro e que aumentaram o seu tamanho, encontram-se espalhadas pela imagem VISTA e são fáceis de detectar, brilhando com uma cor âmbar sobre um fundo de estrelas branco amarelado. O núcleo densamente populado contrasta com as regiões exteriores do aglomerado, mais esparsas. Como pano de fundo podemos ainda observar um grande número de estrelas da Pequena Nuvem de Magalhães.
         Esta imagem foi obtida com o VISTA (sigla do inglês Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) do ESO, no âmbito do rastreio da região das Nuvens de Magalhães, duas das galáxias mais próximas de nós. Embora o 47 Tucanae se encontre muito mais próximo da Terra do que as Nuvens, está por acaso situado em frente à Pequena Nuvem de Magalhães e foi por isso fotografado durante o rastreio.
       O VISTA é o maior telescópio do mundo dedicado exclusivamente a mapear o céu. Situado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, este telescópio infravermelho, com o seu espelho enorme, grande campo de visão e detectores muito sensíveis, está a dar-nos uma visão completamente diferente do céu austral. Usando uma combinação de imagens infravermelhas muito nítidas - tais como esta imagem VISTA - e observações feitas no visível, os astrônomos podem obter informações sobre o conteúdo e história de objetos como o 47 Tucanae com todo o detalhe. 

Notas

[1] Existem cerca de 150 aglomerados globulares que orbitam a nossa Galáxia. 47 Tucanae é o segundo de maior massa, depois de Omega Centauri.

[2] Os pulsares de milissegundo são versões dos pulsares mais comuns que apresentam rotação incrivelmente rápida. São restos de estrelas em rotação, altamente magnetizados, que emitem surtos de radiação à medida que giram. Conhecem-se 23 pulsares de milissegundo em 47 Tucanae - mais do que em todos os outros aglomerados globulares, com exceção do Terzan 5.

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Observatório espacial comprova existência de tsunami solar

Alguns anos atrás, os físicos solares testemunharam pela primeira vez uma gigantesca onda de plasma se propagando pela superfície do Sol. A dimensão do fenômeno era tão grande que apesar de estarem presenciando o evento, não podiam acreditar no que viam. Naquela ocasião, a enorme onda ergueu-se mais alto que a Terra para em seguida despencar sobre a superfície, formando padrões circulares de milhões de quilômetros de circunferência.
tsunami_solar

Céticos, diversos observadores sugeriram que o fenômeno poderia ser alguma sombra ou ilusão de ótica provocada por efeitos atmosféricos. Aquilo poderia ser tudo, menos uma onda real.

O tempo passou e diversos estudos foram feitos, mas uma imagem captada em fevereiro de 2009 pelo satélite Stereo deu um xeque-mate no problema. A imagem mostrava uma gigantesca explosão próxima à mancha solar 11012, arremessando uma nuvem de mais de 1 bilhão de toneladas de gás aquecido ao espaço, provocando uma gigantesca onda na superfície do Sol. "Agora nós sabemos", disse Joe Gurman, do Laboratório de Física Solar do Centro Espacial Goddard, da Nasa. "Os tsunamis solares realmente existem".

"Aquilo foi definitivamente uma onda", disse Spiros Patsourakos, ligado à universidade de Mason e autor do paper publicado em novemnro de 2009 no periódico Astrophysical Journal Letters. "Não é uma onda comum, de água. É uma gigantesca onda de plasma e magnetismo", explicou.

O nome técnico para o novo fenômeno é Onda Magneto-hidrodinâmica de Modo Rápido, ou MHD e foi captado com grande precisão por um dos satélites Stereo, que estuda o Sol. Na imagem, a gigantesca ejeção de massa coronal, CME, atinge 100 mil km de altitude e se desloca a 250 km/s, com energia igual a nada menos que 2.4 gigatoneladas de TNT, o equivalente a 150 mil bombas atômicas similares às que caíram sobre Hiroshima em 1945.

Os tsunamis solares foram descobertos em 1997 através de imagens captadas pelo Telescópio Solar e Heliosférico SOHO e desde então foram motivos de diversas controvérsias entre os cientistas. Em maio de 2009, outra ejeção de massa coronal explodiu em uma região ativa na superfície do Sol e foi registrada pelo satélite SOHO como uma gigantesca onda que praticamente atravessou a superfície do Sol.

Os tsunamis solares não representam uma ameaça direta à Terra, mas são extremamente importantes para o estudo do astro-rei. "Podemos usá-los para diagnosticar as condições atuais do Sol e tentar prever quando as tempestades solares podem ocorrer. Ao observar como as ondas se propagam, podemos coletar informações sobre as camadas mais baixas da atmosfera solar e que de outra forma não seriam possíveis", disse Gurman.


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